Carta #001: a vida é feita de encontros (e desencontros)
Reflexões sobre presença, conexão e o que realmente importa
Salve! Aqui é o Tamer!
Sábado, 02 de agosto de 2025, 9h45. Chega uma mensagem de áudio no meu WhatsApp:
“Fala, Tamer. Tudo bem? Desculpe a demora. Eu infartei nas dependências do Hospital São José, dia 30/06, e estou internado até hoje. Fui a Petrópolis no dia 24/07, fiz um cateterismo e a indicação é de revascularização. Tenho que fazer uma cirurgia de peito aberto.”
Eu me senti dentro da piada, e respondi:
“Eu estava mesmo estranhando sua demora… Mas você é de lascar, infarta em junho e me avisa em agosto.”
Cinco dias depois, fui visitá-lo. Conversamos longamente.
Ele estava bem, tudo parecia normal, como na última vez em que nos encontramos. Mas não sei por que, saí dali com uma sensação estranha.
No dia seguinte, ele teve um AVC. E outro na sequência. Dessa vez, devastador. Assim o perdemos.
Aquele foi o nosso último encontro.
A vida é feita de encontros (e desencontros). Dos encontros simples, inesperados, improváveis, que chegam e transformam a nossa existência.
Ele era um grande amigo, que eu amava profundamente. Um cara de 54 anos, ativo, cheio de energia e good vibes, que nunca vi reclamando, apesar da vida nada fácil.
Foi tudo muito rápido.
Três meses se passaram e ainda estou impactado. Não me acostumei. Até agora, o único jeito que encontrei de expressar o significado dessa experiência tem sido: “É inacreditável!”
Sim, eu sei, palavras são insuficientes para descrever toda a complexidade das nossas emoções.
Eu já desisti de entender. Eu apenas acato o fato de que, diante de determinadas circunstâncias, somos absolutamente vulneráveis e impotentes.
Há alguns dias, a Duda, minha filha, comemorou 21 anos aqui em casa, com poucos amigos. Estavam presentes pessoas que nos acompanham desde a adolescência dela, e o namorado, minha afilhada com a mãe, eu e a Raquel. Faltaram algumas pessoas que amamos e que já estiveram aqui em outras ocasiões.
E senti de novo a força dos encontros (e dos desencontros).
O filho do meu amigo estava aqui, com a namorada.
Sempre que o pai dele vinha à nossa casa, ele estava junto. Eu os conheci no mesmo dia, na mesma ocasião, nas mesmas circunstâncias.
Na última vez em que o pai dele esteve aqui, ele e a namorada também vieram. Foi quando a conhecemos.
Agora, somos só nós, e as nossas lembranças, e as risadas… E a saudade. Muita saudade.
Passamos o dia e a noite inteira sentados, lado a lado, conversando. E avançamos a madrugada, como sempre. Nas poucas vezes em que eles se levantaram, para cantar no karaokê, ou na hora dos parabéns, eu observava.
Ao mesmo tempo, eu observava a minha filha, feliz, atingindo a maioridade, a independência. E aqueles amigos, meninos e meninas, agora adultos, que vi crescer.
Era como se houvesse um observador em mim, enquanto eu era parte daquilo tudo. Tudo ao mesmo tempo, agora. Meus alunos de PNL Sistêmica entenderão.
Foi aí que tive um grande insight:
A única coisa que verdadeiramente vale a pena nessa vida são os encontros.
Todo o resto é ilusão
Quanta riqueza existe na simplicidade de estar junto, de compartilhar os momentos mais simples, sem pressa, sem cobrança, sem nenhuma obrigação, sem esperar nada em troca. Apenas existir junto.
Sempre que eu e meu amigo nos encontramos, 100% das vezes era sem hora marcada. Ele e o filho ficavam aqui até tarde. Nunca foram embora antes das duas da madrugada. E chegavam cedo, logo depois do almoço. Às vezes, para almoçar. Certa vez, saíram com o dia clareando, por volta das seis.
Eu e meu amigo éramos de mundos completamente diferentes, desencontrados. Era uma amizade improvável. Mas o que nos unia era muito maior do que o que nos separava.
O filho dele diz que foi um encontro de almas. É… pensando bem, só pode ter sido.
É aí que entra o que quero compartilhar com você hoje: nossa mente se distrai com muita facilidade; a gente se apega a muitas coisas, pequenas, passageiras, desimportantes.
Por que, Tamer?
Porque o ego é apegado mesmo. A gente se distrai com as redes sociais — cada vez menos sociais; mais antissociais; mais marketplaces —, com o trabalho, com a busca do ter, e acaba se esquecendo do que realmente importa para o ser.
Eu já me distraí muito. E lamento profundamente por isso. Chega a doer. Mas aprendi. A pedagogia da vida é implacável quando a gente insiste em repetir os mesmos padrões automáticos e inconscientes. É para fazer a gente aprender, enquanto há tempo.
Valorize seus relacionamentos. Invista neles. Eles são grandes oportunidades de autoconhecimento, aprendizado e crescimento, porque falam muito sobre você. É na presença, na atenção e nas conexões que a vida acontece.
Nesta primeira carta, quero homenagear o meu amigo que partiu cedo demais, muito antes do combinado, e a amizade que construímos.
Quero honrar o filho dele, também amigo, a sua presença e da namorada nas nossas vidas. Outra amizade improvável, porque eles poderiam ser meus filhos.
Quero honrar todos os encontros que fazem a vida valer a pena: a família, os amigos, os amigos da minha filha, a minha afilhada, a mãe dela e cada pessoa que chega e deixa sua marca.
Cada instante simples, cada risada compartilhada, cada momento de presença é o que realmente molda nossas memórias e dá sentido à vida.
E, claro, quero celebrar o meu encontro mais importante: com a minha mulher e os meus filhos.
A vida é mesmo feita de encontros (e desencontros).
E é por meio deles que realizamos o nosso verdadeiro propósito: aprender a amar e ser amados de verdade. Nos encontros, exercitamos o essencial: o amor - a única coisa que permanece quando todo o resto passa.
O apóstolo Paulo, na sua primeira carta aos Coríntios, nos lembra:
“Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; mas o maior destes é o amor.”
Quero encerrar celebrando o nosso encontro: o meu e o seu; com cada aluno, aluna e mentee, pessoas cujo destino cruzou o meu ao longo dos últimos 23 anos, nas salas de aula, nos salões de treinamento ou nas mentorias.
Nosso encontro é a expressão mais pura da minha missão, do chamado da minha alma.
Aproveito para celebrar o meu encontro com você, que chegou agora e lê estas linhas.
Sou imensamente grato por encontrar todos vocês.
Grande 4braço!
#TamerJunto




É sempre maravilhoso ler vc. Vejo que você saiu do mineirador para o jardineiro. Continuamos apoiando seu trabalho e desejamos que suas sementes deem lindas flores e frutos. 1,2,3,4...
"Aqueles que passam por nós não vão sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós." Antoine de Saint-Exupery