Carta #002: Tudo é comunicação. Comunicação é tudo. É tudo comunicação.
Antes de você falar, o mundo já está lendo você
Salve! Aqui é o Tamer.
Doze dias depois do sepultamento, almocei com o filho do meu amigo num self-service dentro de uma galeria, ao lado da Igreja Matriz de Santa Tereza. Eu queria vê-lo e aproveitei esse espaço na agenda. Naturalmente, estávamos devastados. Juntando os cacos. Processando tudo o que havia acontecido.
Foi a segunda vez que nos encontramos sem o pai dele. A primeira foi no dia do enterro, aqui em casa, quando ele e a namorada vieram tomar café da manhã com a gente, antes de partirmos para o cemitério.
Até então, sempre que nos encontrávamos, éramos três: eu, ele e o pai. No mínimo. Geralmente, os encontros eram aqui em casa, reunindo a família toda.
Eu conto essa história em detalhes na Carta #001. Se você não leu, recomendo que clique neste link, leia e depois volte. Isso te ajudará a entender melhor o contexto da conversa.
Os últimos acontecimentos, que se arrastaram por dias intermináveis, ainda estavam frescos na nossa memória. E na nossa alma. Mas havia outro fato que surpreendeu e entristeceu a todos: o sacerdote deles não compareceu ao hospital. Nem ao velório. Nem ao enterro. Ele se manteve ausente e alheio a tudo o que estava acontecendo. O tempo todo.
Há anos, meu amigo e o filho participavam ativamente de uma comunidade religiosa na qual ocupavam cargos e funções importantes.
E não parava por aí. Eles contribuíam de outras formas, voluntariamente e gratuitamente, prestando toda a sorte de serviços: mutirões de limpeza, reparos diversos etc. Meu amigo, por exemplo, construiu o telhado do templo. Quase de graça, cobrando apenas um valor simbólico.
Eles eram muito engajados naquela comunidade, dedicando grande parte do seu tempo e da sua vida a ela. E dinheiro.
A ex-mulher e a filha do meu amigo também fizeram parte do grupo. De alguma forma, toda a família esteve envolvida e tinha uma relação próxima com aquelas pessoas - e, consequentemente, com o sacerdote.
Mesmo assim, ele simplesmente não apareceu. Em nenhum momento.
A PNL Sistêmica tem um princípio muito importante:
Não existe não comunicação. É impossível não comunicar; a falta de resposta já é uma resposta
O filho do meu amigo tem muitas tatuagens, o rosto coberto de piercings, usa brincos e alargadores de orelhas. Tem um corte de cabelo diferente e usa camisetas estampadas.
Considerando seu perfil, mesmo que ele não diga uma só palavra, mesmo que você não o conheça, pelo simples fato de vê-lo passar podemos concluir que se trata de uma pessoa progressista, não conservadora.
Pelo conjunto da obra, este indivíduo comunica que valoriza a autenticidade, a originalidade e a liberdade.
Do contrário, se uma pessoa com este perfil se dissesse conservadora, estaríamos diante de uma incongruência, de uma crise de identidade - um desalinhamento entre quem ela é, acredita ser ou diz ser, e o que faz. Esse sintoma seria uma comunicação de como ela estaria em relação ao mundo e deveria ser trabalhado num processo sério, profundo e continuado de autoconhecimento.
A conclusão acima é diferente da afirmação: “Ah, Fulano é maconheiro, vagabundo, desocupado, rebelde, subversivo…”
Por que, Tamer?
Porque, neste caso, estaríamos julgando a pessoa, medindo-a pela nossa régua, pelas nossas crenças e valores.
Compreende a diferença?
Tudo é comunicação
Mesmo quando nos calamos e imaginamos estar neutros ou despercebidos, e que ninguém presta atenção em nós, estamos comunicando.
Tudo em você envia uma mensagem: a sua presença, o jeito como se veste, como anda, como olha, como fala, o tom da sua voz, a forma como gesticula e, claro, como você se comporta.
Diversos estudos comprovam que o componente não verbal da comunicação exerce impacto profundo na forma como somos percebidos, muito maior do que o conteúdo dito em si.
Especialistas afirmam que Richard Nixon perdeu o debate para John Kennedy na campanha presidencial dos EUA, em 1960, por causa da sua aparência. Ele parecia pálido, cansado, muito magro e tinha a barba por fazer.
Há muitos estudos sobre o impacto da comunicação não verbal em campanhas políticas e seu efeito nos resultados das eleições.
Comunicação é tudo
Voltemos à atitude do sacerdote do meu amigo. Absurda, injustificável, na minha opinião. E na opinião da minha mulher, do filho do meu amigo, da namorada dele e de muitas outras pessoas próximas.
Mas pode ser que você considere normal ou justificável a ausência, mesmo naquelas circunstâncias e com aquelas pessoas. E tudo bem. Mas, independentemente dos nossos julgamentos, das nossas percepções e opiniões, a conduta do sacerdote transcende o contexto da família do meu amigo. Ela comunica, para toda aquela comunidade religiosa, de forma clara, eloquente e dura: ”Se com Fulano foi assim, não seria diferente comigo.”
Pode ter certeza: se eu fizesse parte daquele grupo, sairia no mesmo dia.
A vida está cheia dessas mensagens silenciosas. Nós recebemos e enviamos esses sinais o tempo todo, mesmo sem perceber. E muitas vezes, é isso que os outros assimilam antes que a gente tenha tempo de dizer qualquer palavra.
Então, aqui vai a minha provocação: se tudo comunica, que mensagem você está enviando agora em todos os contextos da sua vida; nos seus relacionamentos pessoais, familiares, profissionais, sociais e na sua relação conjugal?
É tudo comunicação
Porque comunicação não é só sobre o que você fala. É sobre como você chega, como sai, como se posiciona, como se relaciona, como honra seus compromissos, como lida com horários — se você é pontual ou não —, como lida com as suas obrigações de pai, de mãe, de filho, de profissional etc. Tudo isso constrói a percepção que os outros têm de você, e, sobretudo, ainda mais importante, a percepção que você tem de si mesmo(a) - sua autoimagem, seu senso de identidade.
A #DicaDoTamer para hoje é: se liga no que o mundo anda comunicando para você e, principalmente, no que você anda comunicando para o mundo.
Minha dica de milhões é: pergunte-se: se alguém estivesse me observando agora ou se houvesse uma câmera me filmando, que mensagem eu estaria transmitindo? E ajuste o que for necessário, principalmente seu estado de presença e sua capacidade de prestar atenção. Não apenas nos outros, mas em você. O ser humano vem perdendo esta capacidade, numa sociedade onde tudo contribui para a dispersão.
A boa notícia é que a comunicação é uma ciência. Ninguém nasce sabendo, mas pode aprender (e deve), porque é um dos principais pilares do autodesenvolvimento. Afinal, tudo comunica. A vida comunica. Você comunica. E quanto mais você domina a arte da comunicação, mais você se conecta, influencia positivamente e transforma. Não apenas a si mesmo(a), mas também os seus relacionamentos. E, quem sabe, o mundo.
Grande 4braço!
#TamerJunto




O subtítulo é incrível "Antes de você falar, o mundo já está lendo você" e conversa muito com a "dica de milhões" dada durante o texto, que por sua vez comunica muito com o texto "A Ascensão dos Parasitas da Atenção" (https://www.opsiconauta.com.br/p/a-ascensao-dos-parasitas-da-atencao).
Obrigado pela fluidez da mensagem e por todas essas conexões!
Concordo que tudo comunica! E, entendo que muitas vezes podem faltar elementos no contexto. Eu, no meu mundo "la la land", apreciaria mais os presentes do que os ausentes, sem gastar energia pensando ou ligando pq ele não apareceu...