Carta #024: o dia em que meu cérebro sangrou
Dez anos depois, o que uma hemorragia cerebral me ensinou sobre autoliderança
Salve! Aqui é o Tamer.
Quinta-feira, 16 de junho de 2016. 5h30 de uma manhã bem fria. O dia ainda estava escuro. Depois de uma noite mal dormida, me levanto para preparar minha filha para a escola e acompanhar sua saída.
Normalmente, quem cuidava dessa rotina era a Raquel, minha mulher. Mas, naquela noite, nós não dormimos.
A casa vizinha estava vaga e o proprietário fez o favor de largar um filhote de cachorro sozinho no quintal. O bichinho chorou a noite inteira, sem parar. Não sei se de frio, de fome, de solidão ou dos três juntos.
Como eu não dormiria mais, a Raquel me pediu que cuidasse da rotina da Duda naquele dia e preferiu ficar um pouco mais na cama.
Às 6h54, estou sentado no meu escritório lendo um artigo, quando sinto um fluxo difícil de explicar no lado esquerdo da minha cabeça, acompanhado de uma sensação brusca de tontura. Pensei:
- Minha pressão está caindo. Vou me deitar porque, se eu desmaiar, desmaio na cama.
Ao apoiar as mãos sobre a mesa para me levantar, percebo que minha mão direita não obedece ao comando. Me levanto assim mesmo. E minha perna direita também não obedece. Deduzo, incrédulo:
- Estou tendo um AVC.
Vou me arrastando até o quarto, me deito na cama e acordo a Raquel.
Aproximadamente 30 minutos depois, damos entrada na emergência do Hospital São José, em Teresópolis.
Hoje, no dia em que você recebe esta carta no seu e-mail, faz dez anos que isso aconteceu.
O susto
Estávamos na emergência há mais de duas horas.
Eu havia feito uma tomografia computadorizada e aguardávamos o parecer do neurocirurgião para saber que medicação seria administrada e quais seriam as providências.
De repente, o vimos entrando.
- O senhor é autônomo? Paga o INSS? - perguntou.
- Sim. - respondi.
- Então, prepare a documentação que vou lhe encostar. O senhor teve uma hemorragia cerebral.
Aí, eu fiz a pergunta de milhões:
- Qual é o prognóstico e quais são as chances de recuperação?
- Isso é muito difícil de responder. Mas, nesses casos, a pessoa costuma ficar maneta ou perneta. Ela melhora da mão e do braço, mas não da perna; ou melhora da perna e fica com sequela do membro superior.
Olhei para a Raquel e ela estava branca. De ódio.
Pensa num médico simpático. Contém ironia.
Ele virou as costas e saiu.
Ficamos apenas nós dois, eu e a Raquel. Olhei fixamente para ela e perguntei:
- E aí?!
- Duvido! Ele não sabe com quem está falando. - respondeu.
Definitivamente, faz toda a diferença ter a seu lado uma companheira que acredita firmemente em você.
A rede
Enquanto nos dirigíamos para a emergência, pedi à Raquel que entrasse em contato com um professor amigo meu para informá-lo de que eu não poderia comparecer a uma banca examinadora e a uma palestra que eu faria na Universidade Candido Mendes, Campus Ipanema, oito dias depois.
Ela compartilhou a notícia também no nosso grupo exclusivo de alunos.
Temos um grupo muito engajado. Tem gente ali que nos acompanha desde o início da nossa carreira, há quase 25 anos.
Imediatamente, uma aluna, Thaís Martinelli, acionou outra aluna, uma anestesiologista importante, diretora de hospital e muito bem relacionada.
Até então, eu não sabia de nada.
No dia seguinte, eu estava na UTI do segundo hospital.
Naquela ocasião, o Hospital São José não estava aceitando internações para os planos de saúde da Unimed. Então, tive que ser transferido para a capital do Rio de Janeiro.
Já era o fim da tarde e eu estava convulsionando quando, para minha feliz surpresa, recebo a visita da Dra. Sandra Azevedo.
Sim, o sangue no cérebro provoca convulsão. Era como uma espécie de choque elétrico. Eu tinha espasmos involuntários e muito desconfortáveis em todo o lado direito do corpo, afetado pelo AVC.
A Sandra me disse, com aquele tom de quem entende a gravidade da situação e, ao mesmo tempo, me conhecia bem:
- Tamer, é muito difícil enganar você. Seus exames são incompatíveis com o seu estado geral. Os médicos apostam numa malformação. Mas, para mexer nessa cabeça, precisa ser alguém com a mão firme. Se você me autorizar, posso acionar um amigo com quem trabalhei durante anos e que é um dos maiores neurocirurgiões deste país.
Saindo dali, ela acionou o neurocirurgião. Ele me medicou por telefone e alterou todo o protocolo que vinha sendo administrado.
E assim eles salvaram a minha vida. Literalmente. Eu ainda não sabia, mas se continuasse convulsionando, acabaria morrendo.
O diagnóstico
Três dias depois, eu já estava no terceiro hospital e na segunda UTI.
Como a Raquel estava virada há quase 48 horas, Binho, um grande amigo que compõe minha equipe de treinamentos, me acompanhava desde a minha chegada no hospital até o fim do dia, quando eu já estava acomodado num box da UTI.
A pedido do neurocirurgião, eu já tinha feito uma ressonância magnética do cérebro.
Por volta das 22h30, meu médico pessoal atravessou a porta.
Embora não nos conhecêssemos, ele já vinha me monitorando de longe.
Ele já tinha salvo a minha vida enquanto eu estava convulsionando na primeira UTI.
E foi ele quem determinou, apesar das resistências do segundo hospital e do plano de saúde, que eu fosse transferido para o Hospital Unimed Rio.
A Raquel, com o apoio e a orientação dele, exigiu, brigou com o mundo e articulou a minha transferência.
Assim, agora com a intervenção decisiva dela, ele salvou a minha vida pela segunda vez.
Nossa apresentação foi assim:
- Você é vascaíno?
- Não. - respondi.
- Mas você conhece o Ricardo Gomes?
- Sim. - respondi de novo.
- Você teve a mesma coisa que ele. A diferença é a extensão do sangramento.
- Por enquanto, não precisamos operar. Vamos esperar o cérebro absorver o sangramento para que possamos fazer um diagnóstico exato. Eu aposto num cavernoma. Daqui a três meses a gente refaz a ressonância. Mas você vai sair dessa.
Ricardo Gomes é um treinador e ex-jogador de futebol que sofreu um AVC durante uma partida entre Flamengo e Vasco, em agosto de 2011.
Sim, tive a felicidade e a honra de ser atendido pelo mesmo médico, o grande Dr. José Antônio Guasti, chefe do Serviço de Neurocirurgia do Hospital Federal de Bonsucesso.
Pensa num cara humano, gente boa e sem frescura, apesar de ser amplamente conhecido e respeitadíssimo no meio. Dessa vez, não contém ironia.
Até aquele momento, eu ainda não tinha a exata dimensão do que havia sido comprometido. Sabia que tinha sobrevivido e que não precisaria operar naquele instante. Já eram ótimas notícias.
Mas ainda não sabia quais mapas básicos da minha vida eu teria que redesenhar.
Os mapas
O AVC foi no hemisfério esquerdo do cérebro, o lado associado ao pensamento lógico, à razão, ao julgamento, à linguagem e à compreensão. E atingiu o córtex motor, responsável pela motricidade. Em outras palavras: ele atingiu exatamente as funções que eu supervalorizava.
Perdi, temporariamente, mapas básicos: de andar, de escrever, de assinar o próprio nome, de segurar um garfo e de movimentar o braço direito e a perna direita. Coisas que a gente faz sem pensar, até o dia em que precisa pensar para reaprender.
Quem sofre um AVC, naquela idade e dentro daquelas circunstâncias de vida, tem um sério risco de desenvolver alteração emocional.
Eu não tive depressão. Muito pelo contrário. Na verdade, nunca ri tanto na minha vida.
Eu me sentia dentro da piada. Em questão de segundos, o lado direito do meu corpo ficou paralisado. Não só os membros, mas toda a musculatura. Eu não conseguia sequer me virar na cama sozinho.
Mas a situação não tinha nada de engraçada. O AVC hemorrágico é mais raro e mais letal do que o isquêmico; a taxa de sobrevivência é muito menor, e o risco de sequelas é bastante elevado.
Eu precisava focar naquilo que me ajudava. Eu sabia que, se perdesse o humor, perderia também uma parte importante da minha força.
Afinal, a PNL Sistêmica me ensinou:
A energia flui para onde está a atenção
O peso
Foram sete longos dias de UTI e mais três dias no quarto.
Os primeiros dias foram bem desafiantes. Eu dependia das pessoas para tudo. Desde abrir um pacote de biscoito até me levantar da cama para tomar um banho.
Durante o período da UTI, fui assistido por uma equipe de fisioterapeutas: dois rapazes e três moças. Numa manhã daquelas, uma delas me perguntou:
- S. Tamer, o senhor consegue fazer esse movimento com o pé? Para cima e para baixo?
- Nem pensar. - respondi.
Tem uma coisa que me esqueci de dizer: os pés pesam muito. Torci o pé direito três vezes ao longo daquele período, porque não conseguia levantá-lo do chão.
Ela foi direta:
- O senhor precisa fazer. Porque, se não fizer, não anda.
Aquele desafio entrou em mim.
Quando a Raquel chegou para a visita, à noite, antes que fosse embora, pedi:
- Faça um rolo com o cobertor e coloque aos pés da cama, para que eu possa apoiar o pé direito.
Meu pé estava paralisado, bobo, sem resposta.
Depois que ela saiu, comecei a fazer exercícios de visualização.
Na minha mente, eu mexia o pé para cima e para baixo. Repetia, repetia e repetia. Repeti o movimento centenas de vezes. Mil, talvez. Não sei. Só sei que dava ao meu cérebro os comandos que ele precisava reaprender.
E a minha emoção ia junto. Eu imaginava e sentia.
Naquela mesma noite, por volta das 20h, outra pessoa muito próxima, que está com a gente há muitos anos e compõe nossa equipe de treinamentos, a Priscila Uekane, organizou, junto ao nosso grupo de alunos, uma meditação em minha intenção.
Da UTI, eu e a Raquel também participamos.
Em algum momento da madrugada, comecei a mexer o pé.
Na manhã seguinte, caminhei pela primeira vez.
A conta
Eu tinha 46 anos e vivia um dos momentos mais produtivos da minha vida. Trabalhava muito, mais de 12 horas por dia. Ensinava, produzia e entregava muito.
Mas era uma época de muitas mudanças, com as quais eu não estava sabendo lidar, marcada por muita aceleração e muito estresse.
De fora, talvez parecesse força, potência, expansão, energia em movimento, capacidade de realização.
Por dentro, havia uma conta sendo acumulada. E o corpo cobrou.
Se liga na minha dica: se você não para, seu corpo te para.
E quando isso acontece, ele não pede licença, não agenda horário, não pergunta se você está no meio de uma aula, de um treinamento, de um compromisso importante ou de uma viagem em família. Ele simplesmente chega e impõe uma verdade absoluta: você não controla nada na sua vida, a não ser a sua atenção: o seu foco.
E eu me perdi no meu.
Estou falando de atenção dirigida, de foco treinado, de uso intencional da mente num momento em que ela pode se tornar sua maior aliada ou sua pior inimiga.
Não controlamos o tempo, o passado, o futuro, o trânsito, a economia, os filhos, a reação ou a opinião dos outros, a próxima notícia, o diagnóstico, o resultado de um exame, a vida, a doença e a morte.
Mas podemos aprender a controlar a nossa atenção.
Na Carta #014, escrevi sobre a atenção como mecanismo central da experiência. Recomendo veementemente que você leia.
Naquela manhã, aprendi isso da forma mais surpreendente e impactante.
Eu não era hipertenso, não era diabético, não era fumante e não era sedentário. Pelo contrário, estava em dia com a academia. E tinha acabado de fazer meu check-up anual.
Mesmo assim, meu cérebro sangrou. E me parou.
A escolha
Diante dos fatos, eu tinha duas escolhas: assumir o problema ou reclamar da minha condição.
Decidi que, em vez da pergunta estúpida “por que eu?”, faria a pergunta inteligente “por que não eu?”
Em nenhum momento reclamei, praguejei ou me vitimizei.
Por que, Tamer?
Porque a primeira coisa que a gente aprende quando começa um processo sério e profundo de desenvolvimento pessoal é: autorresponsabilidade.
Para entender como classifico um processo completo de desenvolvimento pessoal, leia a Carta #010.
Eu sou responsável. Sempre. Mesmo que não tenha clareza no início, e apesar dos contextos ou das circunstâncias, foram as minhas escolhas que me trouxeram até aqui.
Então, eu disse para mim mesmo, no mais profundo do meu coração, até reverberar na minha mente:
- Esta conta é minha. Se ela veio para mim, tenho algo a aprender com ela.
A escolha de se vitimizar coloca você num tribunal imaginário, transformando os eventos em ofensa pessoal, como se a vida devesse apresentar justificativas para eles. E, nesses casos, a pessoa começa a brigar com a realidade em vez de responder assertivamente a ela.
A decisão
Durante minha internação, não liguei televisão e não tive acesso a celular, redes sociais ou qualquer coisa parecida.
Meu único contato com o mundo externo foram as visitas da Raquel, duas vezes ao dia, e de poucos e próximos alunos, já transformados em amigos.
Aproveitei aquele tempo para me reorganizar internamente.
Então, tomei uma decisão. Eu ficaria bom. E ficaria bom rápido.
A vida é feita de escolhas. Nós estamos tomando decisões o tempo todo, embora quase nunca tenhamos clareza disso.
Eu precisava mostrar ao mundo as minhas verdades para continuar minha missão e seguir fazendo o que vim fazer. Afinal, se eu não morri ali, ainda tinha coisas a concluir.
E eu precisava provar para os meus alunos que aquilo que eu ensino funciona. Que não é papo de cocôach da internet.
Desde que conheci a PNL Sistêmica, ela se tornou minha filosofia de vida, minha forma de estar e existir no mundo. Mas aquela foi a primeira situação dramática da minha vida que me colocava à prova.
Na maioria das vezes, o paciente de AVC tende a esquecer o membro comprometido e usar o membro saudável pelo simples fato de que é mais fácil. É a lei do menor esforço. Só que isso tende a virar uma armadilha quando se trata da recuperação.
Eu precisava fazer o caminho contrário. Tinha que focar no estado desejado, não no meu estado atual. Queria dizer à minha mente, ao meu cérebro e ao meu corpo que eu estava no comando.
Eu estava fazendo a escolha de não ficar refém do medo e da ansiedade diante de uma possível sequela e da sentença médica que tinham acabado de colocar sobre mim.
Eu não podia controlar nada, mas podia controlar a minha atitude diante daquilo tudo.
Com poucos dias, eu já fazia coisas que pareciam distantes.
Vinte e quatro dias depois do AVC, voltei a dirigir.
Contratamos um fisioterapeuta que quis me dar alta com seis sessões. Pedi que fechássemos um pacote de dez.
Neuroplasticidade é isso: a capacidade do cérebro de se programar, desprogramar e reprogramar. Eu dava os comandos certos, com a consciência que eu tinha.
A PNL Sistêmica também salvou a minha vida duas vezes:
Salvou-me da pessoa que eu era antes de conhecê-la;
Salvou-me das sequelas de uma hemorragia cerebral.
Ela me deu um norte, um método e um mapa para funcionar melhor na vida.
Aqui, mais do que em qualquer outra situação da minha vida, vi a aplicabilidade prática de um dos mais importantes princípios da PNL Sistêmica:
Corpo e mente formam um único sistema
Se este princípio foi decisivo para a minha recuperação, ele também me obrigou a olhar para trás e reconhecer que, antes de me ajudar a voltar, meu sistema já vinha insistindo em me alertar para os perigos do meu estilo de vida.
Os sinais
Três meses e vinte e três dias depois, refiz a ressonância magnética.
Quando o Dr. Guasti viu, chamou na sala ao lado o filho, o também neurocirurgião Dr. André Guasti - que tinha me visitado no Hospital Unimed Rio -, para ver o exame.
O Dr. Guasti bateu as mãos sobre o exame e me disse surpreso:
- Meu filho, não sei o que você fez, mas você está de alta. Não tem nada, a não ser uma fibrose no local do sangramento. Vida normal daqui por diante.
- Não preciso mais voltar aqui, doutor? - perguntei.
- Por esse motivo, não.
Quando ouvi o Guasti dizer que provavelmente eu tinha uma malformação no cérebro e que ele apostava num cavernoma, no fundo da minha alma eu sabia que o problema não era aquele.
É muito difícil questionar a experiência de um médico daquela estatura. Mas meu coração dizia que tinha sido um pico de estresse, que não havia malformação nenhuma e que eu não precisaria abrir a cabeça. Apesar da opinião de todos os médicos, inclusive a dele.
E, para mim, ficou claro: foi realmente um pico de estresse. Embora o local do meu sangramento fosse incomum para esses casos.
E aqui existe uma ironia: há anos, eu trabalhava ensinando pessoas a se comunicarem melhor, liderarem melhor, decidirem melhor e gerenciarem melhor seus estados internos. No Metamorphosis®, meu principal treinamento, eu treinava as pessoas para desenvolverem inteligência emocional e autogestão.
Mas, em algum ponto, perdi a capacidade de escutar o meu próprio sistema.
Perdi o controle do meu foco, perdi minha autoliderança e entrei no automático.
Antes do AVC, havia sinais: um cansaço exagerado que o sono não resolvia e um nível incomum de aceleração que eu passei a tratar como rotina.
Uma pessoa próxima me disse:
- Tamer, te achei muito cansado.
Depois de um encontro de fim de semana, um amigo me disse:
- Tamer, te achei muito estressado.
Na terça-feira, 14 de junho, dois dias antes do AVC, eu disse a uma amiga próxima:
- Eu vou dar um troço.
Assim que falei, senti uma emoção diferente na fala.
A PNL Sistêmica me ensinou que as palavras carregadas de emoção costumam se transformar em profecias autorrealizáveis.
Às vezes, a gente profetiza o próprio colapso em tom de desabafo e continua vivendo como se não tivesse escutado.
Na quarta-feira, 15 de junho, por volta das 23h, a Raquel me disse, deitada na cama, enquanto eu a ouvia, recostado à cômoda em frente:
- Desacelera; você está muito acelerado.
As pessoas falaram. A vida falou. Meu corpo falou. Mas eu continuei.
Com a PNL Sistêmica, aprendi:
O sintoma - físico, emocional ou psicológico - é uma comunicação de como se está em relação ao mundo
Mas eu ignorei. E paguei o preço pela minha displicência.
Comunicação não é apenas o que você diz. Tudo comunica. Tudo carrega uma mensagem.
Para entender melhor, leia a Carta #002.
A liderança
Na Carta #009, assumi explicitamente meu posicionamento: PNL Sistêmica aplicada à comunicação, liderança e tomada de decisão.
Aqui, tem uma pegadinha: muita gente pensa que liderança tem a ver com os outros. Liderar família, equipes, pessoas e projetos.
Também. Mas todas essas vêm depois.
Antes de liderar qualquer outra coisa, você precisa liderar a si mesmo(a): sua atenção, seus significados, sua comunicação intrapessoal, seus estados internos, sua linguagem, sua postura diante da vida e suas decisões.
Principalmente quando a vida não está obedecendo ao seu roteiro.
“O que não provoca minha morte faz com que eu fique mais forte.”
Friedrich Nietzsche
A obra
Dez anos depois, estou aqui, comemorando este novo nascimento com você. Sem sequelas. Trabalhando, treinando, ensinando, mentorando, escrevendo, gravando e compartilhando o recado que Deus me deu para entregar ao mundo.
Dez anos são muita coisa para quem poderia ter saído daquela história de outro jeito.
Dez anos são muitos cafés, muita vida compartilhada com a Raquel, muitas conversas com meus filhos, muitas aulas dadas, muitos alunos acompanhados, muitas decisões tomadas, muitos abraços recebidos, muitos textos escritos, muitos áudios e vídeos gravados, muitas pessoas encontradas e muitas versões de mim deixadas pelo caminho.
Dez anos são uma vida inteira dentro da vida.
E, se existe uma gratidão profunda em mim, ela é concreta: meu sistema interno que se reorganizou, meu corpo que voltou e continuou e as pessoas que continuam sendo impactadas pela minha existência.
Também carrego uma gratidão imensa por todos os profissionais que me assistiram nos hospitais pelos quais passei, pelos alunos e amigos que se mobilizaram, por quem orou, meditou, visitou, ligou, acolheu e amparou a Raquel, apoiou minha família e, de alguma forma, sustentou a minha travessia.
Alguns nomes precisam ser registrados: Camila Balthazar, Bruno Magalhães, Daniel Bolite, Mirelle Esposito, Oton São Paio, Rodrigo São Paio, Alan Campos, Leonardo Assunção, Alexandre Vicente e tantos outros que fizeram parte dessa rede de presença, amor e cuidado.
Há momentos em que a vida nos mostra, com absoluta clareza, que ninguém atravessa nada realmente importante sozinho.
Também carrego uma dose de responsabilidade.
Logo depois da alta hospitalar, fui direto para o apartamento de dois alunos queridos, que também se tornaram grandes amigos: Neno e Marise Esposito.
Foi quando comentei com ela:
- Marise, para eu ter saído dessa, ou estou devendo muito, ou ainda tenho muito a fazer.
Ela me respondeu:
- Se fosse dívida, você estava torto.
Eu ri.
Ela deve ter razão: se o AVC não me matou nem me sequelou, é porque há uma obra a realizar antes que venha o fim.
No dia 22 de outubro de 2016, reuni meus alunos num grande encontro presencial. Eu queria que eles me visse de pé e totalmente recuperado.
Eu estava de volta.
A travessia
Esta carta foi pensada (e escrita) não apenas como um manifesto de gratidão, mas, sobretudo, como um alerta.
Talvez ela tenha mexido com você. Neste caso, sugiro que você pare antes que a vida pare você. Antes que o corpo grite, que a relação quebre, que a empresa desabe ou que a sua mente entre em colapso.
É hora de começar a olhar com seriedade para a forma como você vem funcionando.
Eu posso te ajudar a desenvolver mais clareza sobre seus padrões automáticos e inconscientes, sua comunicação, suas decisões e sua liderança, começando pela mais importante: a de si mesmo(a).
Para contar com meu apoio e orientação nesse processo, clique aqui e preencha o formulário de interesse na minha mentoria.
Grande 4braço
#TamerJunto
Os complementos
Além da Provocrônica, que você receberá diretamente no seu e-mail, esta carta tem outro complemento: o Provotalks, um novo viés em áudio que estará disponível na plataforma de sua preferência na próxima quinta-feira, às 7h59.
Circule
Conto com você para fazer este trabalho circular. Vivemos um momento de dispersão e superficialidade, por isso um acervo como este merece chegar a novas mentes e corações e ajudar ainda mais pessoas.
Por favor, compartilhe. Hoje, mais do que nunca, o que tem valor precisa encontrar caminho.









