Carta #003: o chamado que faz você crescer para cima, não para os lados
O que dentro de você está pedindo para nascer agora?
Salve! Aqui é o Tamer.
Imagine tudo desacelerando à sua volta e o mundo parando. Não por ter ficado leve de repente, mas porque alguma coisa dentro de você despertou e decidiu prestar atenção. É desse ponto silencioso e decisivo que quero falar hoje, o espaço onde nasce o que realmente importa.
Foi justamente daí que veio o meu questionamento.
Ultimamente, tenho observado o quanto a gente confunde movimento com direção.
A mente se distrai com imensa facilidade. É como um cavalo desgovernado, como um macaco pulando aleatoriamente de galho em galho, sem rumo, sem direção, sem intencionalidade. A minha, então, putz! Me prega cada peça que, quando vejo, já fui, já me perdi. Às vezes vou tão longe na minha distração que, para voltar, dá um trabalhão. Demanda tempo, esforço e, por vezes, dor.
Você já passou por isso? De se perder em caminhos que não são seus
Durante muitos anos, procurei crescer: intelectualmente, profissionalmente, financeiramente etc. Provavelmente, você também já fez (ou continua fazendo) esse mesmo movimento. É natural. O crescimento faz parte da natureza humana. É uma necessidade quase visceral. Ele ocupa o topo da Pirâmide de Maslow, a teoria psicológica proposta em 1943 que organiza hierarquicamente as necessidades humanas essenciais. Por isso, muitas pessoas abandonam a estabilidade de carreiras e empregos pelo simples fato de não vislumbrar a possibilidade de crescer.
Acontece que crescer para os lados parece avanço, mas não é evolução. Às vezes é só barulho, só ocupação, só dispersão mascarada de produtividade. E foi aí que uma pergunta emergiu do núcleo do meu ser:
O que dentro de mim está me impedindo de crescer para cima, não para os lados?
Essa pergunta mudou a minha perspectiva, reorganizou o meu estado interno e realinhou a minha vida. E quero que ela faça o mesmo por você.
Na vida existem dois tipos de crescimento: o horizontal e o vertical.
O crescimento horizontal é um movimento de superfície, quando a pessoa se ocupa apenas com as coisas desta vida. É a busca do aplauso, do brilho, do status, da validação, daquilo que se encaixa nas expectativas alheias e de tudo aquilo que gratifica o ego. Mesmo quando não faz sentido. É o movimento do ter. E, hoje, mais do que ter, tem que parecer ter. É aquele impulso de empurrar a vida para os lados, sempre ocupado(a), sempre correndo, sempre acumulando. Mas parado(a) por dentro.
O crescimento vertical é outra ordem de grandeza. Ele acontece quando algo te chama de dentro, não de fora. É quando você cresce mesmo quando ninguém vê, mesmo que o mundo não perceba. Tem a ver com as coisas da alma, com transcendência, com sentido, com aquilo que não dá para medir em números. É o movimento do ser. Quando você percebe que a vida não é apenas uma sequência de tarefas, mas uma convocação silenciosa para se tornar aquilo que nasceu para ser. É quando a alma fala mais alto que a mente.
O movimento vertical não tem a ver com dinheiro, nem com produtividade, nem com ter, nem com acumular. Isso é crescimento horizontal. E é aqui que a maioria das pessoas trava, porque crescer para cima exige o que muita gente evita: profundidade, presença, clareza e entrega. Exatamente nessa ordem.
Crescer para cima exige conquistar o que está dentro e questionar o que está fora. O questionamento é o combustível da evolução. Quando você não questiona, não cresce. E, se você não cresce, não dá fruto. E o que não dá fruto morre, como tudo na natureza.
Foi isso que João Batista afirmou de maneira incisiva no Evangelho de Lucas 3:9:
E também já está posto o machado à raiz das árvores; toda árvore, pois, que não dá bom fruto, corta-se e lança-se no fogo
Os projetos que revolucionam a sua vida são os que te pegam pela identidade e te fazem lembrar quem você é. São os que te colocam diante de uma pergunta que não pode ser calada, ignorada nem terceirizada:
O que eu fui criado(a) para colocar no mundo?
Quando essa pergunta emerge, a alma desperta.
É aqui que o autoconhecimento deixa de ser luxo, coisa da elite, de maluco, de quem precisa, e se torna uma questão de sobrevivência.
Por que, Tamer?
Porque não se transforma o que não se conhece. Porque, sem saber quem você é, você não reconhece o que nasceu para ser, tampouco o que nasceu para criar.
Autoconhecimento é o GPS da existência; é o pré-requisito para a felicidade e para uma vida plena.
O problema é sempre a raiz, nunca o fruto. Porque todo fruto é consequência. Toda transformação visível nasce de uma transformação invisível. Nada cresce para cima se não estiver profundamente enraizado para baixo. A árvore só dá fruto porque as raízes estão vivas, firmes e profundas. É aqui que muita gente se perde: quer fruto sem raiz; quer mudança, mas foge do processo.
E o que isso significa? Significa que não existe crescimento vertical sem enraizamento interior. E esse enraizamento é fruto de um processo sério, profundo e continuado de autoconhecimento. Aquele que faz cair as máscaras e revela a nossa própria verdade.
Raiz é isso. É quando você decide olhar para o que te sustenta, não para o que decora a sua vida. Raiz não tem status; não aparece no Instagram; não gera aplauso. Raiz é o que mantém você de pé quando os ventos sopram.
Quanto mais uma árvore cresce para baixo, mais ela pode crescer para cima. Quanto mais profunda a raiz, mais firme é o tronco. Quanto mais firme o tronco, mais abundante o fruto.
Assim também é comigo. E com você.
Quanto mais você mergulha em si mesmo, mais a vida ganha altura. Quanto mais você entende o que te bloqueia e o que te sabota, o que te move e o que te sustenta, mais você se liberta da superficialidade. E é nesse lugar silencioso, onde ninguém vê, que você cresce.
Esse é o ponto: o crescimento vertical é a consequência natural de um enraizamento bem-feito.
Esta é a minha provocação para você hoje:
Em que direção você tem crescido?
Você está gastando sua energia tentando parecer frutífero(a) ou está disposto(a) a fortalecer suas raízes para que os frutos nasçam naturalmente? Está correndo para os lados ou mergulhando para baixo? Está vivendo no barulho ou se permitindo ouvir o que só se revela no silêncio da sua alma?
Porque, quando a raiz encontra o solo certo, adubado, preparado, o fruto chega. Sempre. O solo certo é a pessoa aberta e pronta para fazer a raiz crescer.
É por isso que, quando você inicia algo que vem desse lugar interno, por vezes a mente cansa, o corpo exaure, mas o espírito cresce. A mente reclama e o coração descansa. O ego hesita e a alma avança.
A vida que vale a pena não é a que responde aos anseios dessa sociedade doente em que vivemos. A vida de verdade é a que mexe na sua identidade, a que exige o seu melhor e devolve sentido. É um anúncio silencioso que fala lá no fundo da sua alma: “Eu não desisti de mim.”
E, como eu sempre digo: você pode desistir de tudo (e de todos), só não pode desistir de você.
O crescimento horizontal te nivela por baixo, te torna igual a todo mundo. Sabe aquele ditado que diz: “No meio de uma boiada, ninguém sabe quem é boi e quem é vaca?” É isso. Pensamento de manada. Comportamento de rebanho. E não existe nada pior do que ser igual a todo mundo, do que ser mais do mesmo, do que ser mais um(a) na multidão.
Você nasceu para ser você.
O crescimento vertical transforma. Então, se você atingiu um ponto da vida em que sente que precisa mudar e que as coisas precisam tomar outra direção, pergunte-se:
O que dentro de mim está pedindo para nascer agora?
E se a resposta incendiar seu coração e te fizer subir por dentro, esse é o caminho. Porque quando você se torna alguém melhor e desperta para quem nasceu para ser, todo o resto na sua vida flui.
Grande 4braço!
#TamerJunto




Muito boa essa reflexão. Não que seja uma regra, mas sinto que algumas vezes se faz necessário desacelerar o crescimento horizontal para subir, como uma árvore a ser podada, pegando carona na metáfora do texto. E olha que coisa, abre-se mão da profundidade temendo perder a lateralidade, mas quem se arrisca a subir percebe que quanto mais alto e profundo, menos importa a superfície...
Esse texto tem tantas camadas. Fala da atenção, de como a nossa mente se distrai muito facilmente, fala da busca pelo ter ou ao menos parecer ter, fala de evolução e fala de autoconhecimento, esse último que eu acredito que é o que sustenta todo o crescimento.
Enfim, poderiam ser diversos textos distintos, mas para a nossa felicidade estão todos esses assuntos reunidos em um texto só. Mesmo assim fica o desejo de ler sobre cada um dos assuntos de maneira mais detalhada nas futuras cartas.
Por fim a metáfora – ou seria uma comparação? – do enraizamento e da frutificação para encerrar em grande estilo.
Muito obrigado por essa carta!