Provocrônica #007: o telefonema
Depois da vivência, com o rosto ainda corado e os olhos marejados, ela me disse:
— Não falo com minha irmã há mais de quinze anos.
Ela não pediu ajuda, mas foi como se dissesse:
— Isso está aqui dentro de mim e não sei o que fazer.
A vivência a colocou de cara com uma coisa que ela vinha varrendo para debaixo do tapete. Mas por alguma razão, naquele momento decidiu olhar para aquilo de que fugiu a vida inteira.
Ela me olhou nos olhos e não hesitou. Correu para a recepção da pousada e pediu para fazer o telefonema.
Estávamos no interior de São Paulo, no último fim de semana da formação em Master Practitioner de PNL Sistêmica. Ela e sua família eram de Brasília.
Corri atrás dela e afastei-me para dar espaço. Mas a vi discar. Vi seu rosto mudar quando alguém atendeu do outro lado. Ouvi o choro contido, as frases entrecortadas e o “me perdoe” dito insistentemente, várias vezes.
Foi só o que precisei saber.
Quando desligou, ela veio até mim, serena, entorpecida, e me abraçou, ainda com o rosto molhado.
— Ela atendeu. Não estou acreditando. A gente vai se encontrar.
Eu não disse nada, apenas sorri.
Meses depois, eu soube que as duas se viram e que a relação, antes quase morta, tinha voltado a respirar.
Provocrônicas
Histórias provocacionais acumuladas em quase 25 anos desenvolvendo pessoas.
Este caso completa a Provocatória, Carta #022.





Que emocionante!