Ela estava indignada quando começamos a sessão.
Uma colaboradora pediu demissão depois de receber um feedback da coordenação.
A coordenadora disse:
- Fui firme, clara e empática. Trabalhei com fatos. Expliquei o que precisava melhorar e informei que ela seria avaliada na semana seguinte para decidir se manteríamos ou não o contrato de trabalho. Ela reconheceu o erro e disse que não entendia como havia errado daquele jeito.
O retorno da agora ex-colaboradora havia criado outro problema: um ruído de comunicação entre minha mentorada e a coordenadora. A dona do escritório questionava a forma como o feedback havia sido dado:
- Se estamos tentando passar uma mensagem e outra coisa está chegando, tem alguma coisa errada.
A coordenadora reagiu:
- Fui empática e respeitosa, mas parece que você está acreditando mais nela do que em mim.
Pedi para ver as mensagens trocadas entre elas.
Depois de agradecer a oportunidade e comunicar sua saída, a ex-colaboradora explicou:
- Não foi pelo feedback, mas pela forma. Disseram que eu não estava agregando e que, se não melhorasse em uma semana, seria desligada do time. Eu me senti muito constrangida; até envergonhada.
Perguntei à minha mentorada:
- O que especificamente fez você entender que o problema foi a forma?
- Porque ela disse - respondeu.
- Isso é o que foi dito. Mas como especificamente a coordenadora errou na forma? Houve desrespeito, exposição, ironia, grito, grosseria, humilhação ou rispidez? - insisti.
Ela voltou ao print e permaneceu em silêncio.
- Ela não rejeitou a forma como o feedback foi dado, rejeitou o que ouviu - concluí.
Provocrônicas
Histórias reais e provocacionais acumuladas em quase 25 anos desenvolvendo pessoas.
Este caso complementa a Provocatória, Carta #029: toda transformação enfrenta uma segunda-feira.
Circule
Conto com você para fazer este trabalho circular. Vivemos um momento de dispersão e superficialidade, por isso um acervo como este merece chegar a novas mentes e corações e ajudar ainda mais pessoas.
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