- Parei no meio da frase.
Foi a primeira coisa que ele disse quando iniciamos a sessão.
- Meu sócio me responsabilizou pelo atraso de uma entrega. Eu já ia me explicando. Aí, parei e perguntei: “O que precisamos resolver primeiro?” Definimos os próximos passos e a reunião terminou sem a discussão que normalmente se seguia quando ele apontava um erro meu.
- Foi a primeira vez? — perguntei.
- A primeira vez que percebi antes de começar.
Ficou em silêncio por alguns segundos e continuou.
- Só que ontem aconteceu de novo. Minha filha perguntou se eu tinha assinado a autorização da excursão. Eu comecei a explicar que estava trabalhando, que ela tinha me entregado o papel em cima da hora e que eu não podia parar tudo por causa de uma assinatura.
— E ela? — perguntei de novo.
— Disse que só perguntou se eu tinha assinado. Só então eu me dei conta do padrão.
Enquanto ele falava, uma mensagem apareceu na tela do celular:
— Pai, você consegue assinar hoje?
Ele me pediu um segundo e começou a se justificar:
— Filha, eu já expliquei que…
Parou, apagou a mensagem e escreveu outra:
— Consigo. Me manda a autorização.
Antes de enviar, me mostrou:
— Assim?
— Isso.
Ele enviou a mensagem e deixou o celular sobre a mesa.
Provocrônicas
Histórias reais e provocacionais acumuladas em quase 25 anos desenvolvendo pessoas.
Este caso complementa a Provocatória, Carta #030: você está mudando ou se enganando?
Circule
Conto com você para fazer este trabalho circular. Vivemos um momento de dispersão e superficialidade, por isso um acervo como este merece chegar a novas mentes e corações e ajudar ainda mais pessoas.
Por favor, compartilhe. Hoje, mais do que nunca, o que tem valor precisa encontrar caminho.





Conseguir identificar o padrão é o primeiro passo para a mudança.
Afinal, aquilo que conseguimos enxergar, podemos começar a transformar. 😉
Amo seus textos! ☺️