Provocrônica #005: a tigela
Chegou a hora do jantar. Éramos trinta e cinco pessoas.
Estávamos numa imersão para mais uma formação de Practitioner em PNL Sistêmica, onde ficaríamos hospedados por onze dias. Era um hotel familiar, desses que, à primeira vista, parecia o ambiente ideal: pequeno, funcional e acolhedor.
Estávamos ali há algum tempo e chegamos a realizar vinte eventos por ano.
Para minha surpresa, os jantares entraram numa sequência quase litúrgica: numa noite, ravióli de carne; na outra, ravióli de queijo; depois, ravióli de couve; no quarto dia, outra massa. E assim por diante: macarrão, macarrão, macarrão.
Lá pelo sétimo dia, eu não aguentava mais olhar para macarrão e pedi uma tigela de pipoca. De rebeldia mesmo.
No café da manhã, minha equipe descobriu outra regra. O hotel não servia ovos mexidos para todos, só para quem pedisse individualmente. O motivo era curioso: as pessoas tiravam o miolo do pão e acabavam consumindo mais ovo.
Não era piada. Era a escassez se materializando. Antes que ela chegasse a mim, troquei de hotel.
Os proprietários me disseram que tiveram uma infância difícil e morriam de medo de ficar pobres.
O problema não estava no caixa. Estava no significado.
Provocrônicas
Histórias provocacionais acumuladas em quase 25 anos desenvolvendo pessoas.
Este caso completa a Provocatória, Carta #020.




