Provocrônica #012: a piada
Estávamos numa sessão de feedback da empresa.
Eu mentorava o sócio-gerente e ele me pediu para acompanhar o processo.
Um dos colaboradores entrou na sala e se sentou. Era um jovem talentoso, mas parecia desmotivado e entregava muito aquém do que a empresa esperava.
Havia uma forte expectativa em relação a ele, incluindo a possibilidade de, num futuro próximo, assumir uma chefia.
O líder foi direto e objetivo:
— Você tem futuro aqui. Enxergamos um grande potencial em você, mas percebemos que você está atuando muito abaixo da sua capacidade.
— Me paga mais, que eu entrego mais — respondeu o rapaz.
O mercado sempre funcionou assim: o profissional recebe pelo valor que agrega. Mas ali, na minha frente, a lógica foi invertida. O rapaz queria ser pago pelo profissional que se tornaria um dia.
Ele se retirou com a postura de quem havia feito a coisa certa.
Nós nos olhamos fixamente.
— Hoje, ele faz o que foi contratado para fazer? — perguntei.
— Não.
— Então, se entendi bem, ele não entrega nem o combinado e acha que ganha pouco? — concluí.
— Sim, exatamente o que você entendeu. E mais: ele ganha um salário acima da média para a função, além dos benefícios.
Eu me senti dentro da piada.
Provocrônicas
Histórias provocacionais acumuladas em quase 25 anos desenvolvendo pessoas.
Este caso complementa a Provocatória, Carta #027: por que tanta gente não consegue fazer o básico?
Circule
Conto com você para fazer este trabalho circular. Vivemos um momento de dispersão e superficialidade, por isso um acervo como este merece chegar a novas mentes e corações e ajudar ainda mais pessoas.
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