O quarto está frio.
É minha terceira internação numa UTI.
Estou cansado. Não durmo uma noite inteira desde que tive a hemorragia cerebral.
A TV permanece desligada. Passo os dias olhando para as paredes brancas, repensando a vida.
- Boa noite, S. Tamer. Sou Fudêncio e vim fazer o Raio X dos seus pulmões - disse o técnico.
As noites são todas iguais: Raio X, hemograma, a luz intensa do corredor e o entra e sai de enfermeiros e técnicos.
Meu quarto fica em frente ao posto de enfermagem.
É madrugada. Depois daquela chapa fria nas costas, viro a cabeça para o lado e ameaço tirar mais um cochilo antes que venha a próxima furada. Eles colhem o meu sangue a cada três horas.
Estou sendo monitorado o tempo todo. Além dos inúmeros fios ligados ao meu corpo, os aparelhos emitem um som ininterrupto e irritante, uma espécie de bip-bip-bip…
Olho para a linha que sobe e desce no monitor cardíaco e penso:
- Se essa linha ficar reta e esse bip-bip virar um piiiiiii contínuo, significa que eu morri. A vida é mesmo feita de altos e baixos.
Provocrônicas
Histórias reais e provocacionais acumuladas em quase 25 anos desenvolvendo pessoas.
Este caso complementa a Provocatória, Carta #032: você pode estar esperando uma vida que não existe.
Circule
Conto com você para fazer este trabalho circular. Vivemos um momento de dispersão e superficialidade, por isso um acervo como este merece chegar a novas mentes e corações e ajudar ainda mais pessoas.
Por favor, compartilhe. Hoje, mais do que nunca, o que tem valor precisa encontrar caminho.




